Um choro entre a janela e o asfalto

Crianças choram a procura de seus pais no vilarejo de Kiwanja, no leste do Congo. O frágil cessar-fogo dos rebeldes aliados a Laurent Nkunda contra o governo congolês não foi respeitado.

Parte-me o coração ver uma inocente criança aos prantos…
Parte-me ver aqueles olhinhos marejados e com sede, sede de vida.
Parte-me o peito vê-los questionando sobre seus pais
e uma lágrima profunda e silenciosa se apodera de mim, e a noite retorna e me questiona.

Por que o ser humano se tornou isto?
Por que então, aqui é o lugar onde as garotas boas morrem?
Os homens, os meninos, meninos descalços e com sede e com fome, e medo, e tormento…

Por que eles não lutam entre eles mesmos?
Por que se jogam sobre o chão de cimento, de terra, os inocentes?
Esse é o medo, o breu de cada um…

Teimo, penso, repenso.
se torna um peso, um desatino constante em mim.
Eu penso na vida uma, duas, três vezes ao dia.

Penso nos meninos, nos animais… na dor da mãe e do pai.
Penso em mim, e nos outros, pobre de cada um.
E não refiro-me a dinheiro
E sim, como somos pobres de paz.

Refiro-me a ausência de vida, o desespero mental suportado, exposto  e arrematado.
O coração apertado, depois o alívio do respirar.

A vida se tornou um acaso em questão.
O sorriso um esmo…
E o sofrimento alheio atingem aqueles que ainda
pensam como eu.

Assim como um sorriso sobrevivente.

Lola Ollive

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