Arquivo para novembro \29\UTC 2010

Um choro entre a janela e o asfalto

Crianças choram a procura de seus pais no vilarejo de Kiwanja, no leste do Congo. O frágil cessar-fogo dos rebeldes aliados a Laurent Nkunda contra o governo congolês não foi respeitado.

Parte-me o coração ver uma inocente criança aos prantos…
Parte-me ver aqueles olhinhos marejados e com sede, sede de vida.
Parte-me o peito vê-los questionando sobre seus pais
e uma lágrima profunda e silenciosa se apodera de mim, e a noite retorna e me questiona.

Por que o ser humano se tornou isto?
Por que então, aqui é o lugar onde as garotas boas morrem?
Os homens, os meninos, meninos descalços e com sede e com fome, e medo, e tormento…

Por que eles não lutam entre eles mesmos?
Por que se jogam sobre o chão de cimento, de terra, os inocentes?
Esse é o medo, o breu de cada um…

Teimo, penso, repenso.
se torna um peso, um desatino constante em mim.
Eu penso na vida uma, duas, três vezes ao dia.

Penso nos meninos, nos animais… na dor da mãe e do pai.
Penso em mim, e nos outros, pobre de cada um.
E não refiro-me a dinheiro
E sim, como somos pobres de paz.

Refiro-me a ausência de vida, o desespero mental suportado, exposto  e arrematado.
O coração apertado, depois o alívio do respirar.

A vida se tornou um acaso em questão.
O sorriso um esmo…
E o sofrimento alheio atingem aqueles que ainda
pensam como eu.

Assim como um sorriso sobrevivente.

Lola Ollive

J’ai juste besoin de garder

Ainda que pudesse resistir a teu amor
Eu não conseguiria
pois eu fujo de mim, já não me guardo
e te guardo inteiramente.
Já não traduzo a noite nem suas sobrelinhas…
E só em ti encontro o sentido das coisas, amores, cores e aromas
E tu só precisas ficar e me guardar em ti também.

Lola Ollive

I Can’t Help Falling In Love With You

Não consigo evitar de me apaixonar por você

Homens sábios dizem que só os tolos se entregam por amor
Mas eu não consigo evitar de me apaixonar por você
Eu devo permanecer? Seria isto um pecado?
Se eu não consigo evitar de me apaixonar por você

Como um rio que corre naturalmente para o mar
Querida, desta mesma forma algumas coisas estão destinadas a acontecer
Tome minha mão, tome minha vida inteira também
Já que eu não consigo evitar de me apaixonar por você
Como um rio que corre naturalmente para o mar
Querida, desta mesma forma algumas coisas estão destinadas a acontecer
Tome minha mão, tome minha vida inteira também
Já que eu não consigo evitar de me apaixonar por você
Já que eu não consigo evitar de me apaixonar por você

By: Presley

Fanny and John

 

Le révolte

Definitivamente, os homens são todos iguais!

(Está bem, abro exceção para alguns… vai)

Para se roubar um coração

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto,
não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho,
requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente
tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes,
que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
…e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele,
vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós
e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
…e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade,
a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém… é simples…
é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

Fotografia de: Robert Doisneau, Le Basier de L’Hotel de Vilne , 1950. p.s. Amo está foto!


iMUNDO

Em torno de mim observava um mundo na qual não me interessava, mas que estava ali, eu estava dentro dele. Um mundo sujo onde as pessoas nascem egocêntricas ou se tornam, e depois morrem. Um mundo de mentes desastrosas que resultavam em catastrófes, também surgira uma dimensão de confrontos socias, por isso que eu vim pra cá. Eu via árvores sendo derrubadas sem precisão, e sangrando. Via animais aos cantos como se estivessem chorando, e estavam… Via um céu cinza que não era o meu e os olhares das poucas crianças eram contingentes. Haviam marcas no rosto das mulheres, olhos aflitos e marejados.

Muita fumaça e isolamento, lixo e um tormento da política mal resolvida. Minha mente não compreendia tamanha difamação e o quanto a vida se esvai, quantos corpos caem, tetos que desabam, mar que esvazia, contentamento que se perde no vácuo, no repentino, um disparate. Sorriso mentiroso, abraço também… beijo então…

Palavras e discórdias, uma platéia imóvel que assistia com os olhos fixos e perplexos a tal cena de terror. Ah, quem dera se tudo isso fosse ficção e só nossos sonhos fossem a razão e o verdadeiro triunfo…

Existe uma disputa inapropriada dos “monsters” engravatados e que tentam alimentar a mentira com a carga do sorriso fácil e do roteiro igualado. Somos todos “condenados”, de algum modo. Tudo se torna o mesmo texto, a mesma situação. Questionamos a mudança que prometem e deixam como o primeiro plano, que se torna por vezes e vezes nada. Nada feito, nada dito… Eu pensava muito nisto quando estava neste mundo de propostas incertas, este mundo de pessoas normais…

Me encontro e me perco neste cubo branco, tenho lírios, quadros, um copo de cristal e um livro que não terminei de ler. Ainda ouço o canto lírico dos pássaros sofridos, ainda respiro, ainda canto.

Mas minha mente continua…

– Lola