Arquivo para outubro \21\UTC 2010

Machado de Assis

As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos.
Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando, na verdade, ELES
estão errados… Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

Machado de Assis

Uns versos

Sou sua noite, sou seu quarto
Se você quiser dormir
Eu me despeço
Eu em pedaços
Como um silêncio ao contrário
Enquanto espero
Escrevo uns versos
Depois rasgo

Sou seu fado, sou seu bardo
Se você quiser ouvir
O seu eunuco, o seu soprano
Um seu arauto
Eu sou o sol da sua noite em claro,
Um rádio
Eu sou pelo avesso sua pele
O seu casaco

Se você vai sair
O seu asfalto
Se você vai sair
Eu chovo
Sobre o seu cabelo pelo seu itinerário
Sou eu o seu paradeiro
Em uns versos que eu escrevo
Depois rasgo

Adriana Calcanhoto

Por você

Por você eu aprendo a dançar, andar de salto alto, começo a malhar se quiser…
aprendo a pescar, me bronzeio e te faço rir.
Por você eu corto o cabelo, mudo o tom, se quiser deixo crescer…
Eu uso enfeite ou não uso, cozinho se quiser
Recito poesia também.

Te levo ao teatro, a gente pode ver um filme talvez… ação, comédia?
Por você eu começo a comer direito, a não ter desleixo
e aprendo a dormir no escuro…
Eu posso pular de Bang Jump mesmo com medo e andar de montanha russa…
e se você se afogar, eu vou te salvar… é, também não sei nadar.

Por você conto o segredo,
te faço a sobremesa predileta.. te sirvo o café que eu mesma fiz.
Por você eu canto, também não sei cantar… mas por você mesmo assim canto.
Por você faço silêncio, o silêncio diz muita coisa…
por você faço barulho o barulho também diz…
Por você aprendo a traduzir o japonês, escrever em alemão, te amar
em francês.

Por você eu invento a perfeição, tiro os óculos escuros, paro de falar palavrão.
Volto a ser criança, como legumes… cumpro as promessas.
Por você aprendo a não me atrasar tanto… então eu atraso menos, tudo bem?
Por você subo no avião, desço a serra… grito para a multidão!
Danço salsa, rock n’ roll… e até tento sambar!

Por você…
Por você…

Lola Ollive 17 out 2010

Mulheres

“Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque “vai fazer frio”. Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
“Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça…”
Se você não levar o “sapato extra”, meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado…

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil…
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em “praga de mãe”, “amor de mãe”, “coração de mãe”…

Tudo isso é meio mágico…
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo “coração de mãe” nos “anjos da guarda” de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens…

É choro feminino. É choro de mulher…

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos…

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas…

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era “um continente obscuro”.
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem “estar nas nuvens”, quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora.

Luís Fernando Veríssimo

O homem desconhecido

 

O homem desconhecido

O homem desconhecido me cumprimentou.
Tinha os dentes amarelados e quebradiços, jeito distraído… tantos fios brancos, olhar cansado, mas ainda atento.
Sua vestimenta era precária, pois já não estava lhe cobrindo toda a pele ressecada causada pelos dias quentes, mais quentes do que a própria estação que traz o sol intenso.

Além disso, tinha o andar cauteloso e movia o pescoço pausadamente, como se algo prendesse sua cabeça… Olhava… olhava… e parecia que nem tudo tinha sentido. Sua mente rodava também em torno de seu passado de planos esperançosos, a nostalgia trazia um riso sutil ao seu rosto maltratado e triste.

Sentou-se um instante, tinha nos pés rachados e sujos uma sandália envelhecida de borracha, onde até mesmo faltava a parte em um dos lados. Arrastava seu pé sobre o concreto devastado e a poeira do chão, e levava em si a sujeira que os outros sapatos de modo lustrados deixavam pra trás. Passava por sua cabeça, a idéia de partir… mas para onde?

E pensava: “O mundo é tão grande, meu Deus. Mas falta lugar pra tanta gente…” e quando pensava: Chorava… Seu choro era manso e quente.
De vez chorava por dentro… aonde lhe doía o peito.
Suas lágrimas se misturavam com a poluição, as buzinas, o som do riso contente e a incompreensão…

E o homem desconhecido observava as faces ao seu redor, mas os olhares minuciosos que vinham de algumas almas eram como um instante incomum para ele.

Lola Ollive 2 set 2010

Monotonia



Sobre o mármore acinzentado da pia o copo envelhecido de cristal marcado pelo contorno dos lábios rouges e ainda quente…
Outrora no úmido jardim seus pés magros carimbavam a terra, e os olhos medrosos contemplavam o branco dos lírios frescos.
No banheiro após a água límpida, o vapor ainda sobrevivia e no espelho não se via nada além do embaço habitual. E no corredor suas pegadas… desta vez molhadas, deixadas como quaisquer.
Ainda no canto, seu salto alto, delicado. De mulher que se faz má.
Antes de sair às pressas como se não tivéssemos o dia inteiro para se fazer, deixou cair o vaso posto em cima da escrivaninha, um ato súbito…
Estava com aquela saia preferida de flores azuis e um contorno marinho lhe dando forma à cintura. E meu desejo de segurá-la junto a mim era intenso.
Mas por que esses ponteiros não param de vez?! Assim teríamos tempo para sempre, tempo para sorrir mais, tempo para conversar sobre as cores dos dias, tempo… Tempo para nos abraçar, nos apreciar, rir, chorar!
Meu peito aperta quando te vejo partir, e te observo pelo vidro com o instante de correr e trazê-la de volta… Agarrá-la pelas mãos macias e puxá-la para mim.
Não quero mais sentir saudades… a saudade dói, inflama e não cicatriza.
Então se vai depois de me beijar rapidamente na testa e tão pouco me olha nos olhos… e apenas ouço o som do silêncio agora.

Lola Ollive 21 set 2010

Será que um dia isso muda?

Basta olhar direito para as situações do cotidiano, para perceber que nem tudo mudou e dificilmente vai mudar.
E se pareço trágica ao dizer isso, é só olhar a imagem.
A exemplo de barbaries como esta, eu formo minha opinião sobre este mundo decadente e destes vermes que temos que lidar.
E que se não respeitam os animais, mal são capazes de respeitar a si mesmo ou a parte da argamassa que ainda possui senso, mal sabem o significado da palavra, e tenho certeza que mal tem a visão da realidade do mundo. Seja do ontem, do hoje… do… futuro?
É profundamente triste saber que “pessoas” desse tipo, têm essa coragem repugnante de maltratar seres inofensivos e que ao contrário, deveriam ter merecidamente o nosso respeito, enquanto o próprio ser humano não tem respeito muitas vezes pela própria espécie.
Esta é uma das situações que me tira verdadeiramente do sério. A devastação que a falta de respeito causa.

E se você acha que o que digo é bobagem ou coisa vã, faça apenas uma coisa: Reflita mais sobre as situações do mundo, partindo destas, até as mais extremas.

Eles maltratam os animais, enforcam, machucam.
Isto é uma forma de protesto, servindo também para identificação.

Assim que forem identificados informe a polícia e as lideranças do movimento de defesa dos animais.

p.s. Isso me tira profundamente do sério.

Lola Ollive. 10 out 2010